3º Ciclo de Cinema e Reflexão discute a política de cuidados com a saúde do idoso

 

 

Texto: Luisa Purchio/OBORÉ

Como está a situação da saúde do idoso na sociedade, de que forma ela é tratada e quais são os atuais desafios, no contexto da política nacional, para preservar a qualidade de vida do indivíduo até a hora de sua morte. Estes foram os assuntos abordados na primeira mesa temática do 3º Ciclo de Cinema e Reflexão Aprender a Viver, Aprender a Morrer, realizado na manhã da última quinta feira, dia 16, na Cinemateca Brasileira. 

David Braga Júnior, médico especializado em clínica médica e administrador público com especialidade em Planejamento Estratégico para Ações de Governo, coordenou a mesa temática e destacou a importância de se discutir a política nacional da pessoa idosa na atualidade. De acordo com ele, hoje existem deficiências básicas nos cuidados com os idosos que os tiram do nível de independência e os inserem na situação de vulnerabilidade. “Nós temos que primeiro identificar as causas disso, para depois descobrir quais são as ferramentas que podem mantê-lo na condição de independência pelo maior tempo possível”, disse.

Para abordar o viés pragmático das principais necessidades existentes na área da saúde do idoso, Pedro José Vilaça, médico epidemiologista e infectologista, apresentou uma pesquisa em que foram estudados 23 mil idosos residentes na cidade de São Paulo, usuários de um tradicional plano de saúde paulistano. Com o objetivo de identificar o perfil demográfico e epidemiológico destas pessoas, assim como suas principais patologias e seus tratamentos em vigor, a pesquisa trouxe como resultado um mapeamento dos principais obstáculos enfrentados por esses idosos: dificuldades para dormir, stress, depressão, alta ingestão de medicamentos, cansaço e, principalmente, a falta de vida social. 

Outra questão abordada na mesa foi a necessidade de melhorar o tratamento ao paciente no seu momento de morte. Segundo o médico Ricardo Tavares de Carvalho, cardiologista especialista em Bioética e com atuação em cuidados paliativos, é comum nos hospitais serem tomadas medidas que prejudicam a qualidade de vida dos familiares e dos pacientes terminais, como, por exemplo, a alta dosagem de medicamentos, o atendimento por um grande número de médicos que não estão integrados entre si e a preservação da vida do paciente a todo custo. “É preciso haver uma valorização da vida, chamar a família, ajudá-la a lidar com a morte, e, por exemplo, ver que espécie de trabalho é possível fazer com pessoas que só tem mais dois dias de vida.”

Presente ao debate, Paulo Rogério Affonso Antonio, médico Sanitarista com Especialização em Administração Hospitalar e Serviços de Saúde, encerrou a mesa com a apresentação da experiência de uma iniciativa voltada às necessidades do idoso, desenvolvida no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). A partir da demanda por uma política voltada as pessoas idosas, que correspondem a 30% dos pacientes do Hospital, o Servidor Público Estadual está desenvolvendo um modelo para ser um local amigo do idoso, a partir de atualizações como a integração de serviços e áreas do hospital, abordagem multidisciplinar e ações multisetoriais. 

GALERIA DE FOTOS DO 3º CICLO

 

Depoimento em vídeo do coordenador da mesa David Braga Júnior

 

Depoimento em vídeo do palestrante Pedro José Vilaça

 

Depoimento em vídeo do palestrante Ricardo Tavares de Carvalho

Depoimento em vídeo do palestrante Paulo Rogério Affonso Antonio


 
 

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