Em homenagem ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho (comemorado anualmente no 28 de abril), a SESSÃO AVERROES do dia 26 de abril exibe o longa A Classe Operária Vai ao Paraíso (Itália, 1971) obra prima de Elio Petri e um dos grandes clássicos do cinema político italiano.
Fruto da parceria entre Cinemateca Brasileira, OBORÉ e Hospital Premier/Grupo MAIS, a SESSÃO AVERROES deste mês conta com o apoio institucional da Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego e Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo da sessão é colaborar com as reflexões sobre a sustentabilidade da sociedade, do ponto de vista dos que almejam conquistar os direitos de cidadania a toda a população trabalhadora, dentre os quais, os direitos pela vida, saúde e integridade física e mental.
Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorrem anualmente no mundo cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho e 160 milhões de casos de doenças ocupacionais. Essas ocorrências que chegam a comprometer 4% do PIB mundial. Ainda segundo a OIT, todos os dias morrem, em média, 5.000 pessoas devido a acidentes ou doenças relacionados com o trabalho. Dos trabalhadores mortos, 22 mil são crianças, vítimas do trabalho infantil. No Brasil, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho da Previdência Social, em 2007, foram registrados 653.090 casos de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Importante lembrar que esses dados referem-se apenas aos segurados do Seguro de Acidentes do Trabalho, menos de um terço da população total de trabalhadores. Apesar dos números e das repercussões desses eventos, as condições de trabalho geralmente são desconsideradas em qualquer discussão de sociedade sustentável ou de políticas de desenvolvimento econômico e tecnológico.
Participam da Mesa de Reflexão Leny Sato, professora titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP; João Guilherme Vargas Netto, analista político, ex-diretor da OBORÉ e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo e Artur Henrique, presidente nacional da CUT - Central Única dos Trabalhadores. A mediação é da médica Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro.
O título da Sessão alude ao filósofo, jurista e médico nascido em Córdoba, em 1126 - à época uma das mais cultas metrópoles muçulmanas – e reconhecido como um dos pais da Medicina. Foi o principal intérprete da obra de Aristóteles, o que influenciou toda a filosofia muçulmana, judaica e cristã da Idade Média.
Destinada sobretudo a profissionais e estudantes da área de medicina e saúde, a SESSÃO AVERROES tem o objetivo de refletir, examinar e debater a condição humana, a vida e sua terminalidade. É aberta ao público e acontece sempre às 19h00 da última segunda-feira de cada mês, seguida de mesa de reflexão com convidados das mais diversas áreas do conhecimento. São apoiadores a Faculdade de Medicina de Itajubá (MG), o Instituto Paliar e a Academia Nacional de Cuidados Paliativos. As sessões são precedidas de visita monitorada (17h00) por toda a Cinemateca, incluindo a área técnica de restauro.
Quem são os convidados da Mesa de Reflexão
Leny Sato
Livre Docente e Professora titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP. Suas pesquisas procuram conhecer as configurações do trabalho e dos processos organizativos na contemporaneidade. Buscam tematizar, descrever e compreender as situações e os contextos de trabalho que constrangem as formas de viver, bem como as formas por meio das quais as pessoas, individual e coletivamente, buscam equacionar e resolver os problemas com os quais se defrontam.
João Guilherme Vargas Netto
Matemático, analista político, ex-diretor da OBORÉ Editorial, membro do corpo técnico do DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.
Artur Henrique
Presidente nacional da CUT reeleito para o triênio 2009-2012, Artur Henrique da Silva Santos, 44 anos, é técnico eletrotécnico e sociólogo formado pela PUC Campinas. Iniciou sua atividade sindical em 1983, quando foi eleito conselheiro representante dos trabalhadores da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). Desde que foi eleito secretário de Formação da CUT São Paulo em 1999, e secretário de Organização da CUT Nacional, vem acompanhando as relações da Central com os meios acadêmicos com o objetivo de trocar experiência e conhecimento entre as entidades.
Maria Maeno
Médica sanitarista formada pela USP, com mestrado em Saúde Pública pela USP em 2001. De 1987 a 2006 foi médica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e integrou a equipe do Programa de Saúde dos Trabalhadores da Zona Norte de São Paulo, que originou o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de São Paulo, do qual foi coordenadora por 16 anos. Atualmente é pesquisadora da Fundacentro e assessora da diretoria do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde em Saúde Ocupacional no Brasil. Juntamente com o sanitarista José Carlos do Carmo, é autora do livro “Saúde do Trabalhador no SUS - Aprender com o passado, trabalhar o presente, construir o futuro”, publicado em 2005 pela Editora Hucitec. |
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