SESSÃO AVERROES - Cinema e Reflexão no aniversário da cidade de São Paulo
 

 

No dia 25 de janeiro, segunda-feira, às 18h30, será exibido o primeiro filme do cineasta João Batista de Andrade –" Liberdade de Imprensa" –, documentário produzido em 1967, apreendido em 1968 e lançado 40 anos depois em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira. Após a projeção, o diretor recebe o jornalista Audálio Dantas para debate sobre o tema, com mediação de Olga Futemma, cineasta e diretora técnica da Cinemateca.    

 Neste mês de janeiro, quando São Paulo celebra 456 anos, a Sessão Averroes dispensa sua programação normal e junta-se às homenagens preparadas pela Cinemateca Brasileira para mais um aniversário da cidade. A quarta edição da mostra CINEMATECA SP presenteia o público, de 19 a 25 de janeiro, com a exibição de filmes restaurados pela instituição dentro do Programa de Restauro Cinemateca Brasileira – Petrobras 2007, em cópias novas e ainda inéditas nas telas.

 Portanto, é com grande satisfação que o Grupo MAIS e a OBORÉ, promotores da Sessão Averroes em parceria com a Cinemateca Brasileira, convidam a todos que vem prestigiando os encontros mensais de cinema e reflexão, para mais esta edição da CINEMATECA SP.   Neste ano, a mostra volta a apresentar raras imagens da metrópole, captadas em momentos diversos de sua história, e obras que resgatam seu passado e presente. É composta por quatro programas temáticos e por dois encontros entre cineastas e público.

 O programa CINEMA DE RUA reúne uma série documentários de intervenção que denunciam problemas típicos da metrópole nos anos 70 – pobreza, descaso público, migração, desemprego etc. Criado pelo cineasta João Batista de Andrade, o CINEMA DE RUA teve grande influência sobre a produção documentarista brasileira. De maneira independente, realizou filmes de contestação, em confronto com o discurso oficial da ditadura. Também foram agrupados sob este recorte curtas do início dos anos 70, como Migrantes (1972) e Ônibus (1973), fundamentais para a formação do movimento que agrupou jovens estudantes da Escola de Comunicações e Artes da USP e cineastas iniciantes.

 No dia 25 de janeiro, às 18h30, o cineasta João Batista de Andrade e o jornalista Audálio Dantas conversam com o público, após sessão especial que inclui a projeção de Liberdade de imprensa. Todos os filmes serão exibidos em cópias restauradas.

 Após o debate, estarão disponíveis para venda exemplares do livro “Cinema de Intervenção,

40 anos do documentário inaugural da obra de João Batista de Andrade”, de Renata Fortes e João Batista de Andrade, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, dentro da Coleção Aplauso.

 FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES 

 Migrantes, de João Batista de Andrade
São Paulo, 1972, 16mm, pb, 7’
Reportagem sobre a situação miserável dos migrantes nordestinos vistos como marginais por muitos paulistanos. Numa oportunidade especial, o repórter coloca frente a frente um imigrante, que mora com a família sob um viaduto, e um paulistano típico, que o aconselha a voltar para o campo. Prêmio de Melhor filme em 16mm na Jornada Nordestina de Curta-Metragem em 1973. Produção da TV Cultura. Filme restaurado a partir dos negativos originais 16mm de imagem e som. Livre

 

Ônibus, de João Batista de Andrade
São Paulo, 1973, 16mm, pb, 7’
Reportagem sobre os problemas do transporte urbano em São Paulo. A partir do ponto inicial de uma linha de ônibus, e contando com depoimentos dos próprios usuários, o curta registra a precariedade do sistema de transporte, os atrasos e perigos da superlotação. Produção da TV Cultura. Roteiro de João Batista de Andrade, fotografia de Nilo Mota. Filme restaurado a partir de cópia sonora 16mm. Livre

 

Restos, de João Batista de Andrade, Roberto Menezes, Wagner Carvalho e Paulo Zacca
São Paulo, 1975, 16mm, pb, 9’ | Silencioso
Filme experimental que capta, em imagens aterrorizantes, o cotidiano de um grupo de miseráveis que vive da cata do lixo num aterro sanitário da Rodovia Raposo Tavares. Mulheres, crianças, velhos, desempregados etc, que disputam latas, papéis e restos de comida despejados no local. Censurado pelas autoridades, não pode ser exibido na Jornada Brasileira de Curta-Metragem de 1975. Filme restaurado a partir do negativo original 16mm de imagem. Não indicado para menores de 14 anos

 

Liberdade de imprensa, de João Batista de Andrade
São Paulo, 1967, 16mm, pb, 24’
A situação dos veículos de comunicação no país em meio a disputas ideológicas, pressões econômicas, capital estrangeiro e censura política, entre os anos de 1964 e 1967. Um retrato da época, com imagens de grandes acontecimentos e entrevistas com especialistas e políticos. Segundo palavras do próprio cineasta, Liberdade de imprensa “revelava minha característica básica de filmar, muito valorizada hoje, mais de 30 anos depois: a presença evidente da equipe, da câmera, do diretor, de tal forma que, como diz Jean-Claude Bernardet, o filme capta não o real, enquanto fetiche, mas o resultado dessa presença, dessa intervenção do cineasta diante do real”. Produção do Grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Livre

 ANOTE NA AGENDA  

25 de janeiro, segunda-feira, 18h30

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próxima ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br

 

 

 

 


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